sábado, 12 de maio de 2012

"Foi um dia memorável, pois operou grandes mudanças em mim. Mas isso se dá com qualquer vida. Imagine um dia especial na sua vida e pense como teria sido seu percurso sem ele. Faça uma pausa, você que está lendo, e pense na grande corrente de ferro, de ouro, de espinhos ou flores que jamais o teria prendido não fosse o encadeamento do primeiro elo em um dia memorável."
Charles Dickens, Grandes esperanças
One Day.
Para que servem os dias?
Dias são onde vivemos.
Eles vem, nos acordam
Um depois do outro.
Servem para a gente ser feliz:
Onde podemos viver senão neles?

Ah, resolver essa questão
Faz o padre e o médico
Em seus longos paletós
Perderem seu trabalho.

Philip Larkin, "Days"
One Day.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

- Não ligue para o Totó - disse Dorothy a seu novo amigo. - Ele não morde.
- Ah, não tenho medo - respondeu o Espantalho. - Ele não pode machucar a palha. Deixe que eu carrego o cesto pra você. Eu nunca me canso. Vou te contar um segredo - ele continuou conforme andavam. - Só tenho medo de uma coisa.
- De quê? - perguntou Dorothy. - Do fazendeiro Munchkin que fez você?
- Não - respondeu o Espantalho. - É de um fósforo aceso.

L. Frank Baum, O Mágico de OZ
"- Isso é verdade - disse o Espantalho. - Sabe, não me importo que minhas pernas, braços e corpo sejam recheados de palha, porque assim não me machuco. Se alguém pinica meu pé ou enfia um prego em mim, não importa, porque eu nem sinto. Mas não quero que me chamem de bobo, e se minha cabeça ficar recheada de palha em vez de cérebro, como a sua, como vou aprender alguma coisa na vida?"

L. Frank Baum, O Mágico de OZ
"O cavalheiro era um homem tímido. Compenetrado em seu dever frente à sociedade, e esforçando-se para ser agradável, adotara o sorriso como única linguagem. Contente ou descontente, ele sorria. Uma conversa íntima complicava sua vida vegetativa, pois era obrigado a procurar algo na imensidão de seu vazio interior."
Honoré de Balzac, Ilusões perdidas
"A muitos, ela parecia uma louca mansa, mas o observador mais atento perceberia que essas atitudes decorriam de um amor que não tem a quem amar."
Honoré de Balzac, Ilusões perdidas
"É certo que um pôr-do-sol é um grande poema, mas uma mulher não fica ridícula ao descrevê-lo com palavras grandiloquentes diante de pessoas de pé no chão? Sua conversa era carregada de superlativos, e os menores acontecimentos ganhavam proporção gigantesca. Seu espírito se inflamava como sua linguagem. Para ela, tudo era sublime, extraordinário, divino, maravilhoso. Entusiasmava-se com qualquer acontecimento, Invejava os heróis e as heroínas dos livros; tinha vontade de se tornar freira e morrer de febre amarela, em barcelona, cuidando dos doentes: seria um destino nobre! Tinha sede de tudo o que não fosse a água clara de sua vida. Adorava Bryron e Rousseau, todas as vidas poéticas e dramáticas. Tinha simpatia por Napoleão, mesmo derrotado, e se condoía com os tiranos do Egito, massacrados por Mohamed Ali. Endeusava as pessoas de gênio. "
 Honoré de Balzac, Ilusões perdidas