De repente, havia um garoto no meio dos toneis ainda fumegantes onde Capricórnio mandara incendiar os livros. Meggie foi a única que o notou. Todos os outros estavam absortos demais na história. O próprio Mo não percebeu, estava longe, em algum lugar entre a areia e o vento, enquanto os seus olhos tateavam no labirinto de letras.
O garoto deveria ser tres ou quatro anos mais velho que Meggie. O tubante em sua cabeça estava sujo, e os olhos no rosto moreno estavam escuros de medo. Ele esfregou-os como que para apagar a imagem falsa, o lugar falso que tinha diante de si. Olhou ao seu redor na igreja vazia, como se nunca tivesse visto uma edificação como aquela. E como poderia? Em sua história certamente não havia igrejas de torres pontudas nem colinas verdejantes como as que esperavam por ele lá fora. O traje, que lhe chegava quase até os pés, era azul e brilhava como um pedaço do céu.
"O que vai acontecer se eles o virem?", pensou Meggie. "Certamente ele não é o que Capricórnio estava esperando".
Mas nesse momento Capricórnio também já o havia notado.
- Espere! - ele gritou tão alto que Mo interrompeu a frase no meio e ergueu a cabeça.
De forma brusca e um tanto contrafeitos, os homens de Capricórnio voltaram à realidade. Cockerell foi o primeiro a se pôr de pé.
- Ei, de onde é que ele veio? - rosnou.
O jovem abaixou-se, olhou em volta o rosto paralisado pelo medo e saiu correndo em zigue-zague como um coelho. Mas não foi muito longe. Imediatamente, três homens correram atrás dele e o apanharam ao pé da estátua de Capricórnio.
Mo pôs o livro no chão ao seu lado e cobriu o rosto com as mãos.
- Ei! Fulvio sumiu! - exclamou um dos homens de Capricórnio. - Ele simplesmente evaporou.
Todos olharam para Mo. O medo estava de volta no rosto deles, só que dessa vez não se tingia apenas de admiração, mas também de cólera.
- Leve o garoto embora, Língua Encantada - ordenou, irritado. - Iguais ele já tenho mais do que o suficiente. E traga-me Fulvio de volta.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
quarta-feira, 23 de maio de 2012
quarta-feira, 16 de maio de 2012
"You say that you love rain,
but you open your umbrella when it rains...
You say that you love the sun,
but you find a shadow spot when the sun shines...
You say that you love the wind,
But you close your windows when wind blows...
This is why I am afraid;
You say that you love me too"
Willian Shakespeare
segunda-feira, 14 de maio de 2012
"Mostre-se indiferente", ela pensou, mas já tinha aberto um sorriso. "Fora com ele!" Mas como, se era tão bom olhar para o seu rosto? Sorrateiro estava sobre seu ombro. Ele balançou sonolento o rabo quando a viu.
- Oi Meggie. Tudo bom? - Farid acariciava o pelo da marta.
Doze dias, durante doze dias ele não havia lhe dado nem um sinal de vida. E ela não havia decidido não lhe dizer uma única palavra quando o reencontrasse? Mas simplesmente não conseguia ficar chateada com ele. Ele ainda parecia triste. Nem sinal do riso que antes fizera parte do seu rosto, assim como os seus olhos negros. O sorriso que ele lhe dava agora era apenas uma triste sombra do que fora antes.
- Oi Meggie. Tudo bom? - Farid acariciava o pelo da marta.
Doze dias, durante doze dias ele não havia lhe dado nem um sinal de vida. E ela não havia decidido não lhe dizer uma única palavra quando o reencontrasse? Mas simplesmente não conseguia ficar chateada com ele. Ele ainda parecia triste. Nem sinal do riso que antes fizera parte do seu rosto, assim como os seus olhos negros. O sorriso que ele lhe dava agora era apenas uma triste sombra do que fora antes.
Cornelia Funke, Morte de tinta
Eu sou a canção que os pássaros cantam.
Eu sou a folha que transforma a terra.
Eu sou a maré que move a lua.
Eu sou a corrente que a areia detém.
Eu sou as nuvens que o vento leva.
Eu sou a terra que o sol ilumina.
Eu sou o fogo que golpeia a pedreira.
Eu sou o barro que dá forma a mão.
Eu sou a palavra que o homem pronuncia.
Charles Causley, I am the song
"- Já ouço,as palavras! - disse Cosme ao voltar para o seu trono. - Sabe, minha esposa ama as palavras escritas. Palavras que ficam grudadas no pergaminho como moscas mortas, dizem que o meu pai também era assim, mas quero ouvir palavras e não as ler! Pense nisso ao procurar as palavras certas: como soarão, isso é o que o senhor deve se perguntar! Contagiantes de paixão, sombrias de tristeza, doces de amor, assim é que deve ser. " Cosme para Fenóglio.
Cornelia Funke, Sangue de Tinta
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